O que é tacógrafo: digital, disco, aferição e multa
O que é tacógrafo, quem é obrigado, como ler o disco, como funciona o tacógrafo digital, validade da aferição no Inmetro e a multa por equipamento irregular.
Por Jairo Garcia, Diretor Comercial da ACMON · 10 min de leitura · Atualizado em 20 de out. de 2026

Quase todo gestor de frota pesada conhece o tacógrafo pelo lado chato: a aferição vencida, o disco esquecido, a multa na barreira. Pouca gente usa o que ele tem de melhor, que é o registro de como o caminhão foi dirigido.
Este guia explica o que é o tacógrafo, quem é obrigado a ter, como funciona o digital e o de disco, como ler o disco, quando aferir e qual multa cabe em cada caso.
O que é tacógrafo
Tacógrafo, ou cronotacógrafo, é o nome popular do registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo. Ele fica no painel do veículo e grava três coisas de forma contínua: a velocidade em cada momento, a distância percorrida e o tempo em movimento e parado.
A palavra inalterável é o ponto central. O tacógrafo é instrumento de metrologia legal: tem modelo aprovado, é lacrado e passa por verificação do Inmetro justamente para que o registro sirva como prova. Na fiscalização, ele mostra se o motorista respeitou velocidade e tempo de direção. Num acidente, mostra a que velocidade o veículo estava.
Isso o separa de qualquer rastreador. O GPS comercial ajuda a gestão e, na Justiça do Trabalho, pode servir como prova de jornada. Na blitz, porém, o agente olha o tacógrafo nos veículos obrigados.
Quando o tacógrafo é obrigatório
A obrigação vem do art. 105, inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro. O detalhamento de quais veículos entram está na Resolução Contran 993/2023, os requisitos técnicos do equipamento na Resolução Contran 938/2022, e a verificação metrológica fica com o Inmetro.
| Tipo de veículo | Tacógrafo obrigatório? | Observação |
|---|---|---|
| Carga com PBT acima de 4.536 kg | Sim | Inclui caminhões leves como 3/4 acima desse peso |
| Passageiros com mais de 10 lugares | Sim | Ônibus, micro-ônibus e vans grandes de fretamento |
| Transporte escolar | Sim | Independe do porte do veículo |
| Carga com PBT até 4.536 kg | Não, pela regra geral | Utilitários e furgões leves |
| Veículos leves de passeio da frota | Não | O controle de uso fica com rastreamento e telemetria |
Um erro comum é achar que só carreta precisa de tacógrafo. O critério é o peso bruto total, não o tamanho da cabine. Muito caminhão de entrega urbana passa dos 4.536 kg e entra na regra.
Os 3 tipos de tacógrafo

| Tipo | Como registra | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Analógico diário | Agulhas riscam um disco de papel que cobre 24 horas | Trocar o disco todo dia e guardar os usados |
| Analógico semanal | Conjunto de discos para 7 dias de operação | Controle de qual disco está no aparelho |
| Digital | Grava em memória e imprime em fita ou exporta arquivo | Leitura mais rápida e menos erro de interpretação |
Como funciona o tacógrafo digital
O tacógrafo digital recebe os pulsos de um sensor de movimento ligado à transmissão. A unidade no painel transforma esses pulsos em velocidade e distância e grava tudo com data e hora numa memória lacrada.
Quando o fiscal ou a empresa pede, o equipamento imprime o registro em fita térmica ou exporta o arquivo. A leitura sai em números e horários, sem a interpretação de riscos que o disco exige.
- Guarde rolos de fita reserva no caminhão. Sem papel, não há como mostrar o registro na fiscalização.
- Defina quem baixa e arquiva os arquivos e com que frequência.
- Não deixe a troca de horário ou de configuração na mão do motorista. Ajuste errado vira registro errado.
Disco de tacógrafo: como ler
O disco de tacógrafo é um diagrama redondo marcado como um relógio de 24 horas. As agulhas do aparelho riscam o papel enquanto ele gira, e cada faixa conta uma parte da história.
| Faixa do disco | O que mostra | Como ler |
|---|---|---|
| Velocidade (externa) | Velocidade em cada horário | Quanto mais longe do centro, mais rápido o veículo estava |
| Distância (meio) | Quilômetros rodados | Cada subida e descida do zigue-zague corresponde a um trecho fixo de km |
| Tempo (interna) | Movimento e parada | Traço grosso é veículo andando. Traço fino é veículo parado |
O verso do disco tem campos para nome do motorista, placa, local e data de início e fim, e odômetro inicial e final. Disco sem esses dados vale pouco como prova. Ler disco exige prática, e erro de leitura é comum. Para quem ainda usa disco, a troca pelo digital vale a pena quando a frota cresce e a leitura manual vira gargalo.
Aferição do tacógrafo no Inmetro
A verificação metrológica do tacógrafo vale por dois anos, conforme o regulamento técnico do Inmetro. Também precisa de nova verificação depois de reparo, troca de peça ou rompimento de lacre.
O serviço é feito em posto credenciado, com taxa do Inmetro paga antes da verificação. O valor da taxa é publicado pelo Inmetro e muda com o tempo, então consulte no portal antes de agendar. O certificado e a situação do equipamento podem ser consultados no portal de cronotacógrafo do Inmetro.
- Monte uma agenda de aferição por placa, com 60 dias de antecedência do vencimento.
- Depois de qualquer mexida elétrica no painel, confira o lacre antes de liberar o caminhão.
- Guarde o certificado digitalizado junto do cadastro do veículo, não só no porta-luvas.
A planilha de controle de frota grátis da ACMON já traz a aferição do tacógrafo na aba de vencimentos, com alerta por cor.
Multa de tacógrafo: o que diz o CTB
| Situação | Base legal | Natureza e valor |
|---|---|---|
| Rodar sem o tacógrafo obrigatório ou com ele inoperante | CTB art. 230 | Grave: R$ 195,23, 5 pontos e retenção do veículo |
| Registrador viciado ou defeituoso, quando exigido | CTB art. 230 | Grave: R$ 195,23, 5 pontos e retenção do veículo |
| Dirigir além do tempo de direção do art. 67-C | CTB art. 230, XXIII | Média: R$ 130,16 e retenção para cumprir o descanso. Reincidência em 12 meses vira grave |
A retenção costuma custar mais que a multa, porque a carga para. Sem disco ou com disco preenchido errado, o registro não comprova o tempo de direção, e a fiscalização pode autuar. Por isso o controle de discos e fitas precisa de dono na operação e não pode depender só da memória do motorista.
Cuidado com tabelas de blog que falam em multa de R$ 1.300 ou R$ 4 mil para a empresa por tempo de direção. Esses valores não estão no art. 230 do CTB. Autuação trabalhista é outro regime, com outro processo.
Tacógrafo e telemetria: o que cada um resolve
O tacógrafo é a prova legal. A telemetria é a gestão do dia a dia. Um não substitui o outro, mas juntos fecham o controle de velocidade e jornada.
| Pergunta da operação | Tacógrafo | Rastreamento e telemetria |
|---|---|---|
| Houve excesso de velocidade? | Sim, na leitura do disco ou fita | Sim, com alerta na hora e local no mapa |
| O motorista passou de 5h30 de direção contínua? | Dá para calcular depois | Alerta antes de estourar o limite |
| Onde o caminhão parou e por quanto tempo? | Mostra o tempo, não o lugar | Mostra tempo e local |
| Quanto tempo ficou com o motor ligado parado? | Não | Sim, pela ociosidade de motor |
| Vale como prova na fiscalização? | Sim, é o equipamento legal | Complementa, não substitui |
Na prática, a frota usa a telemetria para corrigir o comportamento durante a semana e o tacógrafo para provar o que aconteceu. Quando os dois batem, a auditoria de gestão de jornada fica simples. Quando divergem, vale investigar: pode ser sensor, instalação ou disco trocado.
O cruzamento também ajuda na Lei do Motorista. O tacógrafo registra o tempo em movimento, e a plataforma separa direção, espera e descanso por motorista.
Checklist de tacógrafo para a frota
- Liste quais placas são obrigadas a ter tacógrafo pelo PBT e pelo tipo de transporte.
- Registre o tipo de cada equipamento: disco diário, semanal ou digital.
- Cadastre o vencimento da aferição e crie alerta de 60 dias.
- Defina quem troca, recolhe e arquiva discos ou fitas, e com que frequência.
- Compare semanalmente os excessos do tacógrafo com os alertas da telemetria.
- Treine os motoristas: disco certo, verso preenchido, nada de mexer no lacre.
A ACMON, de Guarapuava (PR), atende frotas de caminhões com rastreamento de caminhões, telemetria e controle de jornada numa mesma plataforma. São mais de 120 empresas e mais de 950 veículos. O tacógrafo continua sendo obrigação legal. O que muda é que você fica sabendo do problema no mesmo dia.
Perguntas frequentes
Quais são os 3 tipos de tacógrafo?
Analógico diário, que usa um disco de papel para 24 horas; analógico semanal, com um conjunto de discos para 7 dias; e digital, que grava em memória e imprime o registro em fita ou exporta o arquivo.
Como é o funcionamento do tacógrafo digital?
Um sensor ligado à transmissão manda pulsos de movimento para a unidade no painel. A unidade calcula velocidade e distância, grava tudo com data e hora numa memória lacrada e, quando pedido, imprime o registro em fita térmica ou exporta o arquivo para leitura em computador.
Como entender o disco de tacógrafo?
O disco tem três registros em volta do mesmo relógio de 24 horas. A faixa de velocidade mostra quanto o veículo andava em cada horário. A de distância sobe e desce em zigue-zague a cada trecho rodado. A de tempo fica grossa quando o veículo andava e fina quando estava parado.
Qual a validade da aferição do tacógrafo?
A verificação metrológica do Inmetro vale por dois anos. Ela também precisa ser refeita depois de reparo, troca de peça ou rompimento de lacre. A situação do equipamento pode ser consultada no portal de cronotacógrafo do Inmetro.
Qual o valor da multa por falta de disco de tacógrafo?
O CTB não tem um item só para falta de disco. Sem disco, o registrador obrigatório não registra, e o agente pode enquadrar no art. 230 como equipamento obrigatório inoperante ou registrador defeituoso: infração grave, multa de R$ 195,23, 5 pontos e retenção do veículo até regularizar. Confira o enquadramento escrito no auto de infração.


