Tacógrafo: o que é, quando é obrigatório e como a frota usa os dados
Tacógrafo registra velocidade, distância e tempo de direção. Veja quais veículos são obrigados, os 3 tipos, aferição no Inmetro, multa e como cruzar com a telemetria.
Redação ACMON · 9 min de leitura · Atualizado em 23 de set. de 2026

Quase todo gestor de frota pesada conhece o tacógrafo pelo lado chato: a aferição vencida, o disco esquecido, a multa na barreira. Pouca gente usa o que ele tem de melhor, que é o registro de como o caminhão foi dirigido.
Este guia explica o que é o tacógrafo, quem é obrigado a ter, como funciona cada tipo e como cruzar o que ele grava com os dados de rastreamento de caminhões e telemetria.
O que é tacógrafo
Tacógrafo, ou cronotacógrafo, é o nome popular do registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo. Ele fica no painel do veículo e grava três coisas de forma contínua: a velocidade em cada momento, a distância percorrida e o tempo em movimento e parado.
A palavra inalterável é o ponto central. O equipamento é lacrado e verificado pelo Inmetro justamente para que o registro sirva como prova. Na fiscalização, ele mostra se o motorista respeitou velocidade e tempo de direção. Num acidente, ele mostra a que velocidade o veículo estava.
Quando o tacógrafo é obrigatório
A obrigação vem do art. 105, inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro. As regras técnicas ficam com o Contran, e a verificação metrológica, com o Inmetro.
| Tipo de veículo | Tacógrafo obrigatório? | Observação |
|---|---|---|
| Carga com PBT acima de 4.536 kg | Sim | Inclui caminhões leves como 3/4 acima desse peso |
| Passageiros com mais de 10 lugares | Sim | Ônibus, micro-ônibus e vans grandes de fretamento |
| Transporte escolar | Sim | Independe do porte do veículo |
| Carga com PBT até 4.536 kg | Não, pela regra geral | Utilitários e furgões leves |
| Veículos leves de passeio da frota | Não | O controle de uso fica com rastreamento e telemetria |
Um erro comum é achar que só carreta precisa de tacógrafo. O critério é o peso bruto total, não o tamanho da cabine. Muito caminhão de entrega urbana passa dos 4.536 kg e entra na regra.
Os 3 tipos de tacógrafo

| Tipo | Como registra | Ponto de atenção |
|---|---|---|
| Analógico diário | Agulhas riscam um disco de papel que cobre 24 horas | Trocar o disco todo dia e guardar os usados |
| Analógico semanal | Conjunto de discos para 7 dias de operação | Controle de qual disco está no aparelho |
| Digital | Grava em memória e imprime em fita ou exporta arquivo | Leitura mais rápida e menos erro de interpretação |
No disco analógico, cada risco conta uma parte da história. A linha externa mostra a velocidade, a do meio mostra a distância e a interna mostra quando o veículo andou ou ficou parado. Ler disco exige prática, e erro de leitura é comum.
O digital resolve boa parte disso. O registro sai em fita ou em arquivo, com horário e velocidade legíveis. Para quem ainda usa disco, a troca vale a pena quando a frota cresce e a leitura manual vira gargalo.
Aferição do tacógrafo no Inmetro
O tacógrafo passa por verificação metrológica periódica a cada dois anos. Também precisa de nova verificação depois de reparo, troca de peça ou rompimento de lacre. O serviço é feito em posto credenciado, e o certificado pode ser consultado no portal de cronotacógrafo do Inmetro.
- Monte uma agenda de aferição por placa, com 60 dias de antecedência do vencimento.
- Depois de qualquer mexida elétrica no painel, confira o lacre antes de liberar o caminhão.
- Guarde o certificado digitalizado junto do cadastro do veículo, não só no porta-luvas.
Multa por tacógrafo irregular
Rodar com o registrador viciado ou defeituoso, quando ele é exigido, é infração grave pelo art. 230 do CTB: 5 pontos na CNH, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo até a regularização. A retenção costuma custar mais que a multa, porque a carga para.
Sem disco ou com disco preenchido errado, a fiscalização também pode autuar. Por isso o controle de discos e fitas precisa de dono na operação, e não pode depender só da memória do motorista.
Tacógrafo e telemetria: o que cada um resolve
O tacógrafo é a prova legal. A telemetria é a gestão do dia a dia. Um não substitui o outro, mas juntos fecham o controle de velocidade e jornada.
| Pergunta da operação | Tacógrafo | Rastreamento e telemetria |
|---|---|---|
| Houve excesso de velocidade? | Sim, na leitura do disco ou fita | Sim, com alerta na hora e local no mapa |
| O motorista passou de 5h30 de direção contínua? | Dá para calcular depois | Alerta antes de estourar o limite |
| Onde o caminhão parou e por quanto tempo? | Mostra o tempo, não o lugar | Mostra tempo e local |
| Quanto tempo ficou com o motor ligado parado? | Não | Sim, pela ociosidade de motor |
| Vale como prova na fiscalização? | Sim, é o equipamento legal | Complementa, não substitui |
Na prática, a frota usa a telemetria para corrigir o comportamento durante a semana e o tacógrafo para provar o que aconteceu. Quando os dois batem, a auditoria de gestão de jornada fica simples. Quando divergem, vale investigar: pode ser sensor, instalação ou disco trocado.
O cruzamento também ajuda na Lei do Motorista. O tacógrafo registra o tempo em movimento, e a plataforma separa direção, espera e descanso por motorista.
Checklist de tacógrafo para a frota
- Liste quais placas são obrigadas a ter tacógrafo pelo PBT e pelo tipo de transporte.
- Registre o tipo de cada equipamento: disco diário, semanal ou digital.
- Cadastre o vencimento da aferição e crie alerta de 60 dias.
- Defina quem troca, recolhe e arquiva discos ou fitas, e com que frequência.
- Compare semanalmente os excessos do tacógrafo com os alertas da telemetria.
- Treine os motoristas: disco certo, identificação preenchida, nada de mexer no lacre.
A ACMON, de Guarapuava (PR), atende frotas de caminhões com rastreamento, telemetria e controle de jornada numa mesma plataforma. São mais de 120 empresas e mais de 950 veículos. O tacógrafo continua sendo obrigação legal. O que muda é que você fica sabendo do problema no mesmo dia.
Perguntas frequentes
O que é um tacógrafo e para que serve?
Tacógrafo, ou cronotacógrafo, é o registrador instantâneo e inalterável de velocidade e tempo exigido pelo Código de Trânsito. Ele grava velocidade, distância percorrida e tempo de movimento e de parada. Serve para fiscalização de velocidade e jornada e como prova em caso de acidente ou multa contestada.
Quais veículos são obrigados a ter tacógrafo?
Pelo art. 105 do CTB: veículos de carga com peso bruto total acima de 4.536 kg, veículos de transporte de passageiros com mais de dez lugares e veículos de transporte escolar. Existem regras específicas para alguns tipos de veículo, então confirme o enquadramento da sua frota na resolução do Contran vigente.
Quais são os 3 tipos de tacógrafo?
Analógico de disco diário (um disco por 24 horas), analógico semanal (conjunto de discos para 7 dias) e digital, que grava na memória e imprime o registro em fita térmica ou exporta o arquivo.
De quanto em quanto tempo o tacógrafo precisa ser aferido?
A verificação metrológica do Inmetro é periódica, a cada dois anos, e também é exigida após reparo ou violação do lacre. A situação do equipamento pode ser consultada no portal de cronotacógrafo do Inmetro.
Qual a multa por tacógrafo com defeito ou sem aferição?
Conduzir com o registrador viciado ou defeituoso, quando ele é exigido, é infração grave pelo art. 230 do CTB: 5 pontos, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo para regularização.
A telemetria substitui o tacógrafo?
Não. O tacógrafo é o equipamento legal exigido pelo CTB. A telemetria e o rastreamento complementam: mostram em tempo real o que o tacógrafo só revela na leitura do disco ou da fita, como excesso de velocidade, tempo de direção contínua e paradas.


